Desenvolvido em tempo recorde, capacete de respiração assistida começa a ser testado em pacientes

O Elmo, capacete de respiração assistida para tratar pessoas com quadro leve ou moderado de Covid-19, será testado em pelo menos dez pacientes no Hospital Leonardo da Vinci, unidade requisitada durante a pandemia pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). O primeiro teste clínico aconteceu nesta semana e foi considerado bem-sucedido. O procedimento é um dos critérios necessários para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize a produção do equipamento em larga escala.

A rápida chegada à fase atual de estudo clínico ocorre graças à união entre ciência, tecnologia e inovação, fruto da força-tarefa composta pelo Governo do Ceará, Sesa, Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE) e Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), além da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/Ceará), Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade de Fortaleza (Unifor).

A ação interinstitucional reduziu para três meses um processo que poderia chegar a dois anos, desde a concepção do equipamento, desenvolvimento e consolidação do protótipo, até testes de usabilidade em voluntários sadios e análise das funcionalidades do Elmo em pacientes.

“O trabalho feito com o Elmo em tempo recorde evidencia que o Ceará tem capacidade para inovar, essencial para democratizar o sistema de saúde”, afirmou o secretário da Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, Dr. Cabeto, durante apresentação do equipamento na sede da Fiec nesta quinta-feira (25). A ocasião contou, ainda, com a presença do idealizador do modelo, o superintendente da ESP/CE, Marcelo Alcantara; o diretor de inovação da Funcap, Jorge Soares; o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante; o diretor regional do Senai, Paulo André Holanda; o reitor da UFC, Cândido Albuquerque; e o vice-reitor da universidade, Glauco Lobo.

Apesar de a fase piloto dos testes clínicos prever a análise das funcionalidades do Elmo em dez pacientes, o estudo pode ser expandido, a depender dos resultados obtidos. A primeira utilização ocorreu na última terça-feira, 23, numa mulher de 77 anos, com quadro de pneumonia gerada por Covid-19. O resultado preliminar foi considerado satisfatório, com aumento da saturação de oxigênio da paciente em poucos minutos de uso.

“A gente precisa checar se aquilo que o Elmo se propõe de fato acontece, que é melhorar a respiração do paciente durante o uso. O equipamento melhorou a oxigenação da paciente e serão avaliados mais casos até concluirmos a eficácia do dispositivo”, destaca Marcelo Alcantara.

A aplicação do Elmo em pacientes é feita por profissionais de saúde do HLV. Eles são treinados e supervisionados por uma equipe de pesquisadores composta por médicos, fisioterapeutas e engenheiros clínicos, sob coordenação da ESP/CE. O estudo clínico é autorizado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Funcionamento

O Elmo é formado basicamente por três componentes: uma argola rígida, por onde entram os tubos com provimento de oxigênio; uma base flexível que se ajusta ao pescoço do paciente; e uma coifa de PVC, que é o capacete propriamente dito, montado sobre os outros dois componentes.

O capacete prevê a utilização de um mecanismo de respiração artificial não-invasivo. Acomodado ao pescoço do paciente, o Elmo permite ofertar oxigênio a uma pressão definida. Essa pressão fica ao redor da face do paciente, que respira com auxílio da pressurização e oferta de oxigênio. O sistema permite que ele melhore a sua respiração e não precise eventualmente de intubação.

O protótipo foi desenvolvido na sede do Senai, no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, onde está instalada a Central Ventiladores Mecânicos e Equipamentos Respiratórios (CVMER). “Não medirmos esforços para o desenvolvimento do Elmo porque a nossa função é transformar ideias em realidade”, destacou o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante.

O modelo é adotado em países como a Itália, com redução de cerca de 50% dos casos de agravamento do quadro clínico, quando há necessidade de tratamento com aparelhos de ventilação mecânica. Ao mesmo tempo, o Elmo confere mais segurança, uma vez que, vedado ao pescoço do paciente, evita que partículas do vírus se espalhem no ambiente e contaminem profissionais de saúde. O baixo custo atrelado à simplicidade da composição permite a produção em larga escala do equipamento, que ainda pode ser desinfetado e reutilizado.

“O Elmo ficará como legado da pandemia. Ele não é útil apenas para os pacientes com a Covid-19. Pode ser utilizado em qualquer paciente que precisa de apoio para respiração quando está faltando oxigênio”, destaca Marcelo Alcantara.

Habilidades

Postado em

5 de janeiro de 2021