Mulheres na TI: diversidade, educação e apoio para promoção da igualdade de gênero
Publicado em 18 de maio de 2021

No post anterior, trouxemos alguns dados sobre desigualdade de gênero em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM em inglês), e seguimos aqui com o debate, também apontando alternativas que podem melhorar esse cenário. A expectativa apresentada pelo site Igualdade em STEM é de 59 anos para atingirmos a igualdade de gênero nessa área na América Latina. O dado é de uma análise que buscou medir a igualdade de gênero no mercado de trabalho formal e no ensino superior, utilizando indicadores para entender como se dá a distribuição de trabalhadores nas ocupações consideradas STEM.

Somada a isso, a pandemia da Covid-19 também adiou por mais uma geração a igualdade de gênero no mundo. Segundo o mais recente Relatório de Desigualdade Econômica de Gênero, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, a atual crise sanitária acrescentou mais 36 anos ao tempo necessário para reduzir a disparidade. Isso significa que a estimativa global de igualdade, que antes era de 99,5 anos, saltou para 135,5 anos.

De acordo com a professora Alice Abreu, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em comentário realizado durante o evento online Jornada das Mulheres em STEM, é possível perceber uma mudança na forma como olhamos as questões de gênero no STEM atualmente.

“Eu acho que no começo a situação era tão precária, que a ideia era que uma melhoria na participação das mulheres seria bom para as mulheres. E hoje, muito claramente, se vê que não é bom somente para as mulheres. É bom para a Ciência. Hoje se tem clara consciência de que diversidade, inclusão, igualdade e equidade levam a uma melhor produção do conhecimento”.


SAIBA MAIS
O mundo real entre desigualdade de gênero e futuro de oportunidades para mulheres na TI
Questões socioculturais: tecnologia é coisa de menina?


 

A diversidade importa em todos os campos, e em STEM não é diferente. É por isso que suprir a lacuna de gênero nessas áreas é vital para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a fim de criar infraestrutura, serviços e soluções que ajudem a resolver os problemas das sociedades e funcionem para todas as pessoas.

Para melhorar esse cenário, grandes empresas de tecnologia já investem em programas para ampliar a participação de mulheres no mercado. É o caso das gigantes Microsoft, Google, Intel e Apple, que realizam diversos eventos de capacitação, formação e incentivo ao empreendedorismo feminino, dentro e fora do Brasil. O Fórum Econômico Mundial apontou que a educação frente às novas competências digitais é um jeito de criar vantagem em tempos desafiadores e acelerar o ritmo do progresso da diversidade, uma estratégia que será boa para as mulheres e crucial para a longevidade das organizações.

Além disso, o mercado de tecnologia segue em ascensão e há uma defasagem de mão de obra qualificada. Segundo estudo divulgado pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a expectativa é que o mercado na área tecnológica pode sofrer um déficit de 290 mil profissionais em 2024. Adotar medidas que incentivam o ingresso da mulher no ramo de tecnologia também é uma questão de economia.

Criar e alimentar redes de apoio também é muito importante para a redução das desigualdades em STEM. Para Daiana Alves, que faz parte da comunidade de desenvolvedoras PHP Woman, e também foi uma das convidadas do evento Jornada das Mulheres em STEM, a mudança do cenário passa pela defesa de outras bandeiras e pela união das mulheres. Apaixonada por software livres, Daiana defende mais trocas, mais eventos, mais parcerias entre mulheres como rotas de mudança.

“Me junto a essas mulheres, ouvindo, dando outras oportunidades e organizando eventos. Eu acho que é um trabalho de formiguinha, mas se a gente fizer minimamente algo para apoiar uma mulher, é um ombro amigo que às vezes ela não tem na faculdade, no seu ambiente de trabalho ou na família. A gente tem que oferecer essa rede de apoio, devem existir várias iniciativas nesse sentido para que as mulheres enxerguem e entendam que elas não estão sozinhas.”


CONTINUE NO ESPECIAL MULHERES NA TI

No próximo post, você vai conhecer a história da Fernanda Nascimento, desenvolvedora no FeliciLab, e os desafios de estudar e trabalhar com tecnologias morando no interior do Estado.

por Clarisse Castro e Sara Café

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.